Transtornos respiratórios relacionados ao sono

A síndrome da apneia do sono (central ou obstrutiva) é a manifestação mais comum e prevalente dentre os transtornos respiratórios relacionados ao sono. Caracterizada por pausas respiratórias involuntárias, levam a um sono com ventilação inadequada, fragmentado e de baixa qualidade.
A síndrome da apneia do sono central é caracterizada pela abertura das vias aéreas e paralisação do diafragma e músculos do tórax por um comando do Sistema Nervoso Central. O resultado dessa paralisação é o aumento nos níveis de dióxido de carbono no sangue, provocando o despertar e retomada do fluxo respiratório. Esse tipo de apneia é mais comum com o avanço da idade e/ou pessoas com insuficiência cardíaca congestiva ou distúrbios neurológicos.
A síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) é a forma mais comum de apneia, afetando aproximadamente 4% da população adulta. Na SAOS, a pausa respiratória é causada por obstrução mecânica na passagem do ar na região da orofaringe (garganta) apesar de contínuo esforço respiratório. Os músculos dessa região relaxam, obstruindo ou colapsando as vias aéreas e tornando a respiração difícil e barulhenta. O organismo reage à deficiência respiratória promovendo o despertar e consequente retomada do fluxo de ar para os pulmões. Assim, o ronco é um sintoma bastante comum da SAOS, assim como a sonolência diurna, uma vez que os eventos respiratórios fragmentam o sono e prejudicam a qualidade do sono.
Entre os fatores de risco para desenvolvimento da SAOS, estão:
- obesidade;
- malformações craniofaciais;
- doenças que levam ao aumento do volume da língua (por exemplo hipotiroidismo ou síndrome de down);
- tabagismo;
- etilismo;
- uso de sedativos.
Como consequência, o paciente pode apresentar:
- complicações cardiovasculares;
- síndrome metabólica;
- alterações cognitivas (atenção, concentração e memória);
- impotência sexual;
- aumento do risco de acidentes laborais e automobilísticos;
- aumento do risco do desenvolvimento de sintomas depressivos.
Sintomas da SAOS
- ronco;
- sonolência excessiva diurna;
- sensação de sono não reparador;
- fadiga ou cansaço;
- confusão ou dor de cabeça ao acordar;
- babar durante o sono;
- boca seca ao acordar.
Vale ressaltar que a fragmentação do sono provocada pela SAOS pode desencadear sintomas de insônia, que, por sua vez, podem levar ao desenvolvimento do transtorno da insônia. Nesses casos, ambas as condições precisam ser tratadas adequadamente.
Diagnóstico
O diagnóstico dos transtornos respiratórios relacionados ao sono depende da avaliação clínica do médico do sono sobre o conjunto de sintomas e dos resultados do exame de polissonografia a fim de identificar o tipo de obstrução e gravidade.
Tratamento
O tratamento adequado dos transtornos respiratórios relacionados ao sono dependem do diagnóstico e avaliação do médico do sono, que poderá definir a melhor abordagem de intervenção ou combinação de técnicas, entre elas:
Medidas comportamentais:
- emagrecimento
- cessação do tabagismo;
- treinamento comportamental para dormir em decúbito lateral;
- evitar ingestão de álcool antes de dormir
- evitar uso de sedativos para dormir
Tratamentos específicos:
- intervenção fonoaudiológica;
- uso aparelho intra-oral;
- uso de aparelho de pressão positiva (CPAP e BIPAP);
- cirurgia;
- suplemento de oxigênio
Os aparelhos de pressão positiva (PAPs – CPAP ou BIPAP) constituem o padrão ouro de tratamento da apneia do sono. Trata-se de um equipamento que auxilia a manutenção do fluxo respiratório nos momentos de obstrução ou colapso da via aérea ou pausa decorrente da apneia central.
Em virtude de alguns desconfortos que podem surgir na introdução ao uso do PAP, essa etapa inicial requer atenção e acompanhamento clínico a fim de garantir a adesão a longo prazo. Em alguns casos, há necessidade de envolvimento do cônjuge ou familiar e intervenção psicológica, como quando há resistência no uso ou claustrofobia.
A AkasA conta com uma rede de psicólogos do sono que podem auxiliar na adesão ao PAP através de esclarecimentos necessários sobre o risco associado à apneia do sono e de intervenções comportamentais e cognitivas para favorecer o uso contínuo e sistemático do PAP. Entre elas:
- tratamento da claustrofobia;
- dissolução de crenças associadas à condição de saúde ou equipamento;
- envolvimento do cônjuge ou familiar.
